terça-feira, 26 de abril de 2016

Nº 17



ALGUMAS SUPOSIÇÕES INCORRETAS DO PENSAMENTO CESSACIONISTA 
por Wayne Grudem

Alguns dos argumentos cessacionistas baseiam-se no apelo a determinadas passagens das Escrituras, como a afirmação de que Efésios 2.20 mostra a profecia como um dom “funcional” que não continua nos dias de hoje. Porém, conforme tenho conversado com meus amigos cessacionistas durante as últimas décadas, parece-me que, com frequência, sua argumentação é baseada não em passagens específicas das Escrituras, mas em algumas suposições. Neste apêndice, exponho cinco dessas suposições e questiono sua validade.

Os dois primeiros argumentos cessacionistas sobre a suficiência das Escrituras não estão sujeitos a crítica:

1. Deus revelou sua vontade em proposições escritas na Bíblia. (Todos os evangélicos concordam com isso).

2. As proposições escritas na Bíblia dão uma completa revelação dos padrões morais que Deus quer que todos os cristãos obedeçam durante o período da igreja. (Todos ou pelo menos a maioria dos evangélicos concorda com isso, ainda que alguns não tenham refletido sobre essa ideia anteriormente).

Contudo, depois desse ponto, a posição dos cessacionistas chega a algumas conclusões não comprovadas:

3. Portanto:
a) Não há repetições. O cessacionista pode afirmar que Deus não concede revelações subjetivas de padrões morais presentes nas Escrituras à pessoas de maneira individual.

Suposição incorreta. Se Deus revelou uma coisa em algum momento de forma escrita nas Escrituras, ele não pode ou não irá repetir parte ou toda essa revelação em outras formas à pessoas individualmente. Mas, na verdade, não há razão para ele não repetir ou lembrar alguém de coisas que já estejam nas Escrituras. Tais lembretes não teriam em si o status de revelação canônica, mas simplesmente repetiriam o conteúdo da revelação canônica.

b) Não há adições para indivíduos específicos. O cessacionista pode afirmar que Deus não pode ou não revelará orientações adicionais específicas a pessoas de maneira individual.

Suposição incorreta. Se Deus já concedeu nas Escrituras todos os seus padrões morais que se aplicam a todos os cristãos em todas as épocas, ele não pode ou não irá revelar mandamentos com orientações adicionais a pessoas específicas em lugares e momentos específicos. Porém, de fato não existe nada que impeça que Deus dê orientações específicas a uma pessoa, tal como a ordem que deu a Abraão de deixar seus pais, a orientação dada a Paulo para passar pela Macedônia ou o chamado de uma pessoa para o ministério. Além do mais, as palavras de encorajamento presentes nas Escrituras no sentido de sermos guiados pelo Espírito Santo (Rm. 8:14; Gl. 5:18), além dos muitos exemplos bíblicos de orientações específicas que Deus deu a indivíduos, podem muito bem ser entendidos como indicativo de que as próprias Escrituras nos ensinam que Deus revela sua vontade a nós, por diversos meios, de tempos em tempos.

c) Se não temos certeza se uma coisa é ou não de Deus, ela não é. O cessacionista pode afirmar que Deus não dá às pessoas qualquer revelação de sua vontade a não ser que ele também dê a quem recebeu tal revelação a certeza de que essa revelação vem dele.

Suposição incorreta (I). Se Deus revelou sua vontade de forma objetiva e sabemos com certeza que vem dele (a Bíblia), então toda revelação sua às pessoas virá de forma objetiva e saberemos com certeza que são dele. Mas o fato é que Deus pode revelar sua vontade às pessoas de maneiras subjetivas, sem que estejam plenamente revestidas da certeza de que venham de Deus, tais como intuição, “pressentimentos”, sonhos, sentimentos de estar sendo guiadas pelo Espírito Santo, etc.

Suposição incorreta (II). Nossa incerteza quanto ao fato de alguma coisa ter sido revelada ou não por Deus significa que não foi revelada por Deus. Em determinado momento, o cessacionista poderá perguntar: “Mas como você sabe que isso vem de Deus? ”, assumindo assim, sem evidência ou prova, que Deus precisa dar alguma certeza juntamente com qualquer revelação feita à pessoa individualmente. Mas o fato é que Deus pode nos dar algumas revelações sobre as quais temos alguma incerteza quanto a tal revelação ser de Deus ou não. Isso parece ser a preocupação principal do mandamento “Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” (1Ts. 5:20,21).

d) Não é feita nenhuma revelação sobre fatos do mundo. O cessacionista pode afirmar que Deus não dá às pessoas qualquer revelação de fatos sobre uma situação em particular dos dias atuais. Em vez disso, toda revelação deve vir por meio da observação e da investigação do mundo pelos meios comuns de nossas faculdades naturais.

Suposição incorreta. Se Deus revelou nas Escrituras tudo sobre o assunto (seus padrões morais e doutrinários para todos os cristãos de todos os tempos), ele não pode ou não irá revelar informação sobre outro assunto (como fatos particulares sobre o mundo ou sobre acontecimentos mundiais) às pessoas de hoje. Mas o fato é que ele pode revelar a algumas pessoas que um certo amigo está pronto para ouvir ou receber o Evangelho, que outra pessoa precisa de encorajamento por meio de uma ligação telefônica, que precisa de dinheiro, de oração, etc. Todas essas situações são fatos obre o mundo que poderiam, em princípio, ser obtidos por meio de nossas faculdades naturais, mas que também podem ser diretamente revelados por Deus.

e) Não há validade para os princípios difíceis de serem colocados em prática. O cessacionista pode afirmar que se o conceito de orientação subjetiva é de difícil aplicação à vida diária ou se é aplicado de maneira errada por aqueles que o seguem, então é conceito errado e não é de Deus.

Suposição incorreta. Deus nos dá somente princípios para a vida cristã fáceis de serem aplicados. Mas a verdade é que a própria tarefa de aplicar as Escrituras à vida é frequentemente difícil e normalmente é feita de forma errada. A tarefa de usas a “sabedoria”, incentivada (corretamente) pelos cessacionistas é também algo que requer prática durante toda a vida e uma habilidade que se desenvolve com o passar do tempo. O fato de que dar atenção aos fatores subjetivos é algo difícil não significa que esses fatores não venham de Deus.

Quando essas cinco suposições são trazidas à luz e analisadas, elas perdem muito de seu poder de persuasão.


----------
Extraído de:
GRUDEM, Wayne. O dom de profecia. Do Novo Testamento aos dias atuais. São Paulo: Editora Vida, 2004, p.391-94.

N° 16



DEUS PODE APRECIAR A ADORAÇÃO? 
por Vincent Cheung

“Eu acredito no controle completo de Deus sobre todas as coisas, ações e pensamentos, mas tenho dificuldade em responder essa pergunta:

Uma vez que Deus determina tudo o que acontece, então ele determina minha adoração dele, e de todos os pensamentos que ocorrem em minha adoração. Como ele pode desfrutar dessa adoração se todos os pensamentos nessa celebração vem dele mesmo? Fazendo uma analogia, é como uma menina que pode colocar pensamentos na sua boneca e fazer com que essa elogie sua beleza, mas o elogio vem da mente da própria menina”

Sempre que alguém faz uma pergunta contra a doutrina bíblica, isso representa um ataque contra Deus e a sua glória. Portanto, você deve tanto responder a essa pergunta, quanto atacar a pessoa. Deve haver algo de errado com a pessoa para que ela faça tal pergunta. Por consequência, você também deve examinar a si mesmo por não responder. Se você realmente compreende a natureza e a glória de Deus como revelada na Bíblia, em vez de deixar uma analogia que o representa como uma pessoa humana jogar fora toda a sua teologia, você não teria qualquer dificuldade em responder a isso.

Embora a Escritura use analogias humanas para ilustrar algumas coisas sobre Deus, os pontos reivindicados são sempre claros, e são muitas vezes afirmados diretamente em conjunto com as analogias. Além disso, a Bíblia representa o homem como a imagem de Deus, e não Deus como a imagem do homem pecador! Mesmo quando algo é dito sobre o homem, e então Deus é dito ser como ele, diz-se que Deus é melhor ou maior, e não inferior.

Primeiro, nós afirmamos positivamente a doutrina e vemos que não há nenhum problema nisso. Assim, se Deus faz com que o seu povo o adore, então ele aprova esse culto. A questão não é se achamos que ele deveria ser capaz de apreciá-lo, mas se isso é o que acontece, que ele realmente causa o culto, e se ele declara que esse é o jeito que ele gosta. Se assim for, então o assunto está resolvido. Está encerrado. A pessoa que faz uma reclamação contra isso está, de fato, dizendo que ele (o homem) é infeliz para que Deus possa ser feliz com esse arranjo. Ele está insistindo que Deus não deve estar feliz com isso, mesmo que o próprio Deus não reclame. Em vez de ameaçar a doutrina, essa objeção é uma blasfêmia. Esse homem pensa que ele próprio pode ser um Deus melhor, ou que ele sabe como ser um Deus melhor, que seja feliz e satisfeito. Nossa doutrina não está em apuros, mas a alma desse homem está bastante em apuros. Essa resposta é suficiente tanto para o cristão como para o não-cristão, porque a oposição logicamente não faz sentido.

Em segundo lugar, o raciocínio dessa pessoa pode aplicar-se a muitos outros atributos de Deus. Mesmo que Deus não pudesse causar qualquer coisa nesse universo, se continuarmos a afirmar sua onisciência, isso significa que ele sabe tudo sobre a adoração do passado, do presente e do futuro – todos os motivos, cada pensamento, cada oração, cada entonação de cada palavra em cada hino, cada gesto das mãos e do rosto, e assim por diante. Se pensarmos que ele tem uma mentalidade muito parecida com a de uma pessoa humana (como a analogia da menina implica), então como ele pode “desfrutar de” adoração? Assim, o Deus que essa pessoa tem em mente deve ser subtraído de seu conhecimento também, assim como de seu poder. Como Deus pode “aproveitar” o culto quando seu poder infinito significa que ninguém pode ir contra ele? Que se dirá das suas promessas e das suas bênçãos? Como Satanás mesmo disse a Deus: “É a troco de nada que Jó teme a Deus?” (Jó 1:9. VC). Podemos continuar essa análise até que ficamos com um Deus que esse homem está satisfeito e que, na sua opinião, pode ter uma existência significativa. E esse Deus será nada mais do que um super-homem, se é que consiga ser isso. Esta resposta é especialmente aplicável ao cristão, uma vez que mostra que ele, de fato, não acredita em Deus. Seu “Deus” é algo muito diferente que ele mesmo inventou, e esse “Deus” (um mero super-homem) é a divindade que ele adora. Mas também é aplicável ao não-cristão, porque o Deus que ele contesta não é o Deus da Bíblia, e a Bíblia não está obrigada a lhe apresentar um Deus que ele goste.

Terceiro, muitos outros detalhes na oposição permanecem obscuros. O que significa o “desfrutar de” adoração? O que essa pessoa acha que a adoração é? Será que ela realmente acha que é como uma garota que recebe bajulação? É esse o tipo de Deus que ele tem em mente, e a razão pela qual ele pensa que Deus ordena a adoração? Será que ele oferece argumentos para apoiar isso? Será que essa pessoa é um cristão? E se ele é um não-cristão, ele entende algo sobre a fé cristã para fazer essa tola suposição? Além disso, você acha que isso é a forma como adoramos? Por que você permite que essa suposição, de que Deus é como uma menina e de que a adoração é como uma bajulação?

Em quarto lugar, a própria analogia humana sai pela culatra contra essa pessoa. Um garotinho que pega dois soldados de brinquedo e os faz lutar entre si está no controle constante de ambos os itens, mas ele ainda acha todo esse cenário emocionante. Uma menina que se senta com seus brinquedos para tomar chá com eles e escreve bilhetes conversar com eles ainda encontra horas de diversão. Eu não digo que o culto é assim, mas isso mostra que, mesmo se a adoração fosse como isso, não seria necessariamente um problema, e isso não significaria necessariamente que Deus “não aproveitou” nada dela. Esse homem é tão estúpido que ele nem sequer compreende a situação humana, e ele se atreve a examinar a natureza de Deus contra a própria revelação de Deus.

Que pensador pequeno! Que pessoa desprezível e sem valor! Ataque ele. Deprecie ele. Repreenda-o com palavras duras e com grande voz. Mas, primeiro, examine-se a si mesmo. É muito grave você não conseguir responder a um desafio tão fácil. Ele não é apenas um problema intelectual, mas também um problema espiritual e ético. Se você tivesse no lugar do seu Deus, como ele é revelado na Bíblia, você não teria permitido que essas analogias blasfemas o incomodassem.


----------
Extraído de:
http://www.vincentcheung.com/2012/05/11/can-god-enjoy-worship/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Nº 15



A INCESSANTE TORRENTE DE ESTRUME DE TOURO 
por Vincent Cheung

Ambos, carismáticos e cessacionistas, tendem a se envolver num debate sob o termo “dons” espirituais, mas é antibíblico repousar a questão apenas na terminologia “dons”, pois a Bíblia quase nunca usa essa linguagem para abordar esse assunto. Vemos grandes passagens sobre isso em Romanos 12, 1 Coríntios 12-14 e Efésios 4, que tratam sobre tudo isso. Há um pequeno lugar em Hebreus e outro em Pedro que falam no termo “dons”, mas Paulo é praticamente o único a fazer isso.

Todos os outros autores da Bíblia, e todas outras instâncias - centenas, e dependendo do que você considerar como relevante, até mesmo milhares de passagens - usam termos como “fé”, “graça”, “poder”, “o Espírito do Senhor”, “a mão do Senhor”, ou elas descrevem o que aconteceu, como “Então Deus disse a Abraão”, “a palavra do Senhor veio a mim”, “o Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida do menino voltou a ele”, “a tua fé te curou”, “o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe”, e assim por diante. Mesmo assim, muitas pessoas, incluindo os carismáticos, estão presas discorrendo em 1 Coríntios 12 e várias outras passagens, e fazem isso sempre usando o termo “dons”. Isso distorce toda a discussão.

Então, o debate é ainda mais reduzido para “sinais” dos dons, e os carismáticos embarcam junto nisso, embora a Bíblia não faça essa distinção. Assim, toda a discussão é praticamente um lixo desde o princípio. Os reformados e os cessacionistas, são aqueles que estão orgulhosos da sua abordagem “redentivo-histórica” da Escritura, mas como é que eles não mencionam isso, e tratam o tema dessa maneira? É uma erudição fraudulenta.

Ao invés de me envolver nessa tolice, eu examino o que a Bíblia ensina sobre Deus, sobre fé, sobre cura, sobre oração, e assim por diante. Se Deus continua, então a fé continua. Se a fé continua, então os milagres continuam. Desde que a fé esteja nos homens, os milagres continuam através dos homens. Alguns desses casos são manifestações do que as pessoas chamam de “dons”, embora a Bíblia quase nunca os chame assim. As pessoas pensam que os “dons” tenham cessado - elas querem que os dons tenham cessado - não porque eles realmente cessaram, mas porque essas pessoas deixaram de ter fé em Deus.

Vamos falar sobre “dons” milhares de vezes sem que o termo “dons” seja usado uma vez. Então, nós estaremos falando sobre essas coisas um pouco mais perto da proporção bíblica. Será que Deus continua? A fé continua? A oração continua? Será que Deus continua cumprindo sua aliança - sua antiga, antiga, antiga, revelação (Lucas 13:16)? É enganoso supor que Deus opere milagres para, principalmente, confirmar a nova revelação. Novamente, apesar da Bíblia ensinar que Deus confirmou novas revelações por meio de milagres, isso é comparavelmente raro. Ele fez promessas que implicam em milagres - para homens, com homens, e por meio de homens - até o fim da história humana.

Na verdade, isso não acontecerá porque Deus vai parar de fazer milagres, mas acontecerá porque esses atos não serão mais chamados de milagres, porque as suas manifestações de poder se tornarão banais. Nesse momento, esses são chamados de “os poderes do mundo vindouro” (Hebreus 6:5). As manifestações dos dons constituem uma amostra do futuro. Elas irão “cessar” apenas no sentido de que esses poderes não mais serão limitados a casos particulares, pois haverá uma corrente constante de sabedoria e poder para nós e através de nós. Ou seja, os dons vão “cessar” somente no sentido que aumentarão em tal ponto que não mais poderão serem isolados (1 Coríntios 13:9,12).

A terminologia “dons” torna essa discussão carregada desde o princípio, e refere-se a “assinar” dons torna ainda mais sem sentido, já que agora estamos debatendo algo que a Bíblia nem sequer conhece. Na verdade, o próprio tema da “continuação” desses “dons” torna essa discussão carregada a um nível ainda mais absurdo. Não há justificativa suficiente para que esse tema, em primeiro lugar, sequer surja. Os cristãos afirmam a existência de Deus, e contra o ateísmo eles defendem a existência de Deus. Mas eles, geralmente, não precisam afirmar ou defender que Deus existe e que ele continua existindo. Talvez até mesmo os incrédulos sejam mais espertos para não carregar um debate da questão de saber se um ser eterno é um ser eterno. Por que discutir se Deus continua a fazer trabalhos especiais através dos homens, a menos que haja justificativa suficiente para fazer disso um tópico? O que eles artificialmente consideram como habilidades especiais e temporárias sempre foi a maneira com que Deus interagiu com as pessoas e através das pessoas. A questão depende de sua natureza, e não de peculiaridades dispensacionais.

Na verdade, a terminologia “dons” é tão não-essencial que, mesmo se todos os “dons” cessassem, nada mudaria. Deus ainda poderia curar as pessoas quando oramos pelos enfermos, e até impondo nossas mãos sobre eles em nome de Jesus, nós só não diríamos que isso é o dom de cura. Deus ainda poderia falar com as pessoas sempre que ele quisesse, nós só não chamaríamos isso de profecia. Enquanto o próprio Deus não cessar - enquanto ele não morrer - não haverá nenhuma diferença prática entre se alguma vez houve dons e ou se cessaram ou não.

Os cessacionistas nem sequer demonstram que existe razão suficiente para fazer disso em um tópico para uma discussão. Eles devem mostrar que algo mudou para fazerem disso uma questão legítima, e que não pode ser descartada. Eles não conseguiram demonstrar que a finalização da Bíblia tem algo a ver com se Deus continua a fazer milagres, e continua a fazer milagres através de homens.

Na maioria das vezes, Deus opera milagres seguindo algo que que ele disse na sua antiga, antiga, antiga revelação, ou simplesmente porque ele mostra sua compaixão. Deus disse que iria entregar Israel para Moisés com mão forte, porque ele se lembrou de Abraão - daquela antiga, antiga, antiga revelação - não porque ele queria confirmar uma nova revelação, embora ele também pretendeu que os milagres produzissem esse efeito. Assim, mesmo que os milagres de Jesus efetivamente confirmaram algo sobre ele (Atos 2:22), ele disse explicitamente que curou uma mulher baseado na aliança de Abraão (Lucas 13:16). Não tinha qualquer relação necessária com os dons espirituais. A cura foi o pão dos filhos (Mateus 15:26) - o seu fornecimento regular e legítimo. Depois, até as “migalhas” foram suficientes para curar alguém que não tinha, aparentemente, nenhum direito disso, exceto a alegação de fé (Mateus 15:27-28).

A base para os milagres é antiga revelação. A finalização da Bíblia não tem nada a ver com se os milagres continuam ou não, pelo contrário, essa revelação completa proporciona ainda mais base para mais milagres. O tema em si não possui razão suficiente para, até mesmo, justificar sua própria existência. Nesse momento, eu não estou ciente de qualquer um na história da teologia que tenha conseguido ir além desse ponto para legitimar esse tópico. Até agora, a própria existência desse tópico é fundada sobre fraudes. Se eu optasse por discuti-lo ante tudo isso, seria um ato de condescendência.

Eu sou um cristão. Embora eu chame o incrédulo de não-cristão, eu não me chamaria de ainda-cristão. E mesmo que, as vezes, encontre ateus, eu não me chamo de não-ateu, nem minha doutrina de contínuo-teísmo. Da mesma forma, apesar de às vezes realizar proezas de caridade teológica e tolerar o tema do cessacionismo, eu não vou me chamar de continuacionista, nem minha doutrina de continuacionismo, porque eu considero esses termos como concessões desnecessárias para essa contínua pilha carregada de estrume. Eu acredito em Deus, por isso eu acredito em milagres.


----------
Extraído de:
http://www.vincentcheung.com/2015/09/01/the-unceasing-downpour-of-bull-dung/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Nº 14



NÃO VI O SENHOR? 
por Vincent Cheung

“Não sou livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Não são vocês resultado do meu trabalho no Senhor?” – 1 Coríntios 9:1

Consideramos aqui a questão de saber se é possível haver apóstolos hoje, pelo menos em princípio. Nós dizemos “em princípio” porque saber se existem apóstolos reais hoje é uma questão distinta e irrelevante para a questão propriamente dita. Mesmo que ninguém possua um ministério de doação, não existe um ensinamento na Escritura, e nenhum fato no mundo, que elimine a possibilidade de que poderia haver aquele que exerce tal ministério. Talvez Deus levante dois mil deles até amanhã. Assim, mesmo se não houver apóstolos hoje, isso não significa necessariamente que o ministério tenha cessado em princípio, e mesmo se o ministério não cessou em princípio, isso não significa necessariamente que haja apóstolos hoje. Nesse momento estamos interessados na possibilidade.

Partindo do pressuposto de que a Bíblia tenha sido concluída, alguns argumentam que não pode haver apóstolos hoje pois isso abriria possibilidade para adições à Bíblia. Mas esse é um argumento tolo e desesperado. Estamos de acordo que a Bíblia foi concluída, mas isso é irrelevante para a questão, porque os materiais da maioria dos apóstolos nunca foram incluídos à Escritura.

É de se duvidar que a produção das Escrituras esteve mesmo entre suas principais tarefas. Em vez disso, ela parece ser um trabalho especial, atribuído a um pequeno número de indivíduos, incluindo aqueles que não eram necessariamente apóstolos ou profetas, como Marcos, Lucas, e quaisquer editores envolvidos. Embora os escritores mais proeminentes da Escritura foram profetas e apóstolos e, de fato, as doutrinas e as mensagens dadas a eles tenham vindo da inspiração divina, a escrita da Bíblia permanece uma questão relacionada, mas distinta daquela do apostolado.

Assim como Deus pode até mesmo transformar pedras em filhos de Abraão, se ele quiser, ele poderia inspirar até mesmo cães e macacos para que escrevessem as Escrituras. E ainda há cães e macacos hoje. Idiotas! A Escritura não foi escrita porque havia apóstolos, mas porque havia um Deus. E não importa o quanto os teólogos queiram, Deus não está morto. Se não houver mais adições à Escritura, é porque Deus parou de escrever, e não porque não há mais apóstolos.

Outro argumento diz que um apóstolo deve ser uma testemunha ocular do Senhor Jesus. Pedro insistiu: “é necessário que escolhamos um dos homens que estiveram conosco durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós” (Atos 1:21). No entanto, Paulo não se encaixaria nessa descrição, e ele ainda foi reconhecido como um apóstolo. A exigência parecia apropriada para aquele que iria substituir Judas, mas não era um requisito para o ministério apostólico. No entanto, Paulo afirmou que ele viu Jesus e, por isso, dizem que ver Jesus continua a ser um requisito para tornar-se um apóstolo.

Essa é uma inferência inválida a partir do texto. Ela oferece um dos possíveis significados de Paulo, mas não o único. Ele também disse: “Não sou livre?” e “Não são vocês resultado do meu trabalho no Senhor?” Mas, geralmente, essas não são enfatizadas como credenciais necessárias ou exclusivas de um apóstolo. E a declaração: “Não sou apóstolo?” Não aparece necessariamente relacionada com “Não sou livre?”, “Não são vocês resultado do meu trabalho no Senhor?” e “Não vi Jesus, nosso Senhor?”, esses três pontos poderiam se aplicar a qualquer pessoa que não seja um apóstolo, incluindo ver Jesus na carne ou em uma visão. O próprio Paulo insistiu que Jesus apareceu a mais de quinhentas pessoas depois da sua ressurreição (1 Coríntios 15:6).

Portanto, ver o Senhor não transforma uma pessoa num apóstolo, e não há provas conclusivas de que seja necessário ver o Senhor para que uma pessoa seja um apóstolo. Mas, por fins de argumentação, vamos supor que tal coisa, de fato, seja uma qualificação necessária para uma pessoa se tornar apóstolo, por que isso seria impossível hoje? Paulo reconheceu que Deus o colocou em um horário diferente, uma vez que os outros apóstolos dos seus dias foram seguidores do Jesus encarnado, enquanto que ele viu Jesus em participações especiais, após sua ascensão. Ele insistiu que o seu apostolado era genuíno e legítimo a parte da aprovação dos outros apóstolos, ou daqueles que seguiram o Cristo encarnado. Quando Deus revelou Cristo para ele pela primeira vez, ele escreveu: "não consultei pessoa alguma.

Tampouco subi a Jerusalém para ver os que já eram apóstolos antes de mim" (Gálatas 1:16-17). O que se deu alguns anos mais tarde, quando ele conheceu os outros apóstolos. Ele destacou que eles concordaram com a sua doutrina e seu ministério. Eles o receberam bem, mas isso foi desnecessário. Se eles tivessem discordado de Paulo, isso teria significado que estavam errados. Cristo encomendou Paulo diretamente.

Assim, mesmo que a qualificação de ver o Senhor seja necessário para se tornar apóstolo, isso continua sendo possível, e não é necessário que exista outros apóstolos para confirmar. Portanto, continua a ser possível, pelo menos em princípio, que exista apóstolos hoje. Mas, novamente, nunca se foi estabelecido que ver o Senhor seja uma qualificação necessária para isso. E assim como nós usamos a Escritura para testar qualquer pessoa que reivindica uma chamada para qualquer posição de liderança espiritual, podemos testar aquele que alega a chamada do apostolado pela revelação bíblica já dada.

Cessacionistas, ou aqueles cuja fé nos dons milagrosos de Deus tenha cessado, às vezes, mencionam isso quando defendem sua posição. Eles dizem que, se até mesmo entre aqueles que afirmam a continuação dos dons espirituais há os reconhecem que o apostolado cessou, então, pode-se admitir que pelo menos um dom cessou. Isso faz com que todos nós sejamos cessacionistas num sentido, então, em seguida, com argumentos adicionais eles tentarão demonstrar que outros dons cessaram também. Essa linha de raciocínio procede de múltiplos saltos lógicos e erros exegéticos. Mas, agora, nós nos recusamos a admitir que mesmo apostolado cessou, pelo menos em princípio. Em vez disso, acusamos os cessacionistas de manusearem de forma incorreta e criminosa a Palavra de Deus. Eles tentam forçar a conclusão que desejam, independentemente do que a Bíblia diz. Eles afirmam proteger a finalidade e suficiência das Escrituras, mas de que adianta as Escrituras para eles, se eles as distorcem tanto, poderiam muito bem escrever as suas próprias Escrituras? Eles são impostores e hipócritas.

Quanto a você, siga os ensinamentos saudáveis que te foram confiados. Rejeite as dúvidas e as teorias dos homens, mas persevere na sua fé, pois com Deus todas as coisas são possíveis, e todas as coisas são possíveis ao que crê.


----------
Extraído de:
http://www.vincentcheung.com/2012/05/11/have-i-not-seen-the-lord/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

Nº 13



TODAS AS COISAS SÃO POSSÍVEIS, QUANDO VOCÊ CRÊ 
por Vincent Cheung

“Jesus perguntou ao pai do menino: ‘Há quanto tempo ele está assim? ’ ‘Desde a infância’, respondeu ele. ‘Muitas vezes o tem lançado no fogo e na água para matá-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos’. ‘Se podes? ’, disse Jesus. ‘Tudo é possível àquele que crê’. Imediatamente o pai do menino exclamou: ‘Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! ’” - Marcos 9:21-24.

O fim desejado é um benefício, não na categoria de salvação estritamente considerada, mas na categoria de cura, ou de libertação do poder demoníaco. Não se trata, ou não é apenas, uma libertação da influência ética, mas do controle físico e mental do demônio sobre o menino. Quando o texto for aplicado, esse aspecto do evento não pode ser removido, apelando para que seu lugar seja no plano da salvação ou no progresso da revelação de Deus. O evento é o que é, e o que Jesus diz no versículo 23 aplica-se à necessidade especificada desse mesmo contexto, mesmo que isso também se aplique a outras coisas. Caso contrário, o alegado respeito pela história da redenção viria a ser uma desculpa para uma prática de interpretação alegórica. E uma vez que o princípio está ligado à natureza da necessidade, negar um é também destruir outro.

Juntamente com versículos como Marcos 11:24, João 16:23, e alguns outros, Marcos 9:23 é um daqueles textos que pregadores e teólogos gastam mais tempo para explicar e expor sobre o que eles não podem fazer e o que não significam, do que afirmar a sua verdade e encorajar a fé neles. Os que se referem a eles sem destruí-los com mil qualificações também são marcados como heréticos, como sendo aqueles que incutem “falsa esperança” nas pessoas. Mas por que a principal ênfase de uma exposição num texto deve ser o de evitar o abuso do texto? O que eles consideram abuso é muitas vezes claramente abrangido pelo natural, mesmo inegável, significado do texto.

Na verdade, a nossa interpretação seria antropocêntrica e meramente psicológica se estivéssemos ignorando a história da redenção, da majestade, da graça e do poder de Deus, isso grita para chamar atenção em todos os versículos. No entanto, se estamos tão teologicamente aguçados que não podemos mais ver um pai perturbado que deseja a libertação de seu filho, não para que o seu filho se converta e alcance o céu, mas para que ele não mais se queime ou se afogue, então somos tão teologicamente aguçados que já nos tornamos analfabetos.

Nós rejeitamos o pensamento positivo da psicologia de autoajuda. No entanto, há uma fé bíblica que, de fato, produz uma perspectiva positiva, e constitui um poder espiritual e psicológico no cristão. As duas são diferentes, e isso requer algum mal-entendido de ambos para misturá-las. Se você rejeitar Buda, você tem que renunciar a Jeová? O que uma coisa tem a ver com a outra? E se há alguma semelhança superficial, donde você acha que os não-cristãos roubaram essa ideia, em primeiro lugar,? Eles desejam poder a parte da fonte. Logo, a “fé” deles é uma fé sem objeto próprio, e um otimismo sem uma base adequada. Deles é uma força falsificada. Deles é uma falsa esperança. Quando a fé bíblica é lançada fora como se fosse psicologia de autoajuda, os cristãos tornam-se fracos e ineficazes. É por isso que há tanto medo e depressão na igreja.

Leia os Evangelhos e note como Jesus se comportou. Que confiança! Que poder e compostura! Que elegância na fala e no movimento! “Mas isso foi Jesus”. Sim, mas Jesus ficou impaciente e repreendeu os seus discípulos quando eles não possuíam a mesma visão, mesmo quando chegava a expulsar demônios e andar sobre as águas. Ele esperava que eles pensassem de modo similar. Ele nunca elogiou a incredulidade. Existem alguns livros cristãos sobre como a dúvida nos ajuda a crescer. Aqui, isso representa falsa esperança. A Bíblia chama isso de pecado. A fé nos ajuda a crescer, e crescer de modo que não duvidaremos.

Portanto, vamos dar uma abordagem revolucionária para a Escritura - vamos acreditar e ser fortalecidos por ela. Quando nós expormos sobre isso, vamos passar mais tempo falando às pessoas o que isso significa e o que diz em vez de explicar para eles porque significa outra coisa, ou soletrando as centenas de formas com que as pessoas podem abusar disso, de modo que quando nós terminarmos estejamos mais deprimidos e mais desanimados do que quando começamos. E quando não formos capazes de afirmar a verdade clara do texto, não vamos fingir ser heróis que resgatam pessoas de fanáticos, ou da “falsa esperança”, ou da pregação “insensível”. Em vez disso, vamos ser tão honestos como esse pai que, em resposta ao desafio de Cristo, clamou: “Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade!”


----------
Extraído de: 
hhttp://www.vincentcheung.com/2010/09/26/all-things-are-possible-when-you-believe/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

domingo, 3 de abril de 2016

Nº 12



MASOQUISMO CRISTÃO: PARA A GLÓRIA DO HOMEM 
por Vincent Cheung

O sofrimento é um fetiche para cristãos. A romantização do sofrimento desnecessário, incluindo o sofrimento que Deus prometeu reduzir ou remover nessa vida, tem sido uma característica dos Reformados e dos Evangélicos, e especialmente dos cessacionistas. Sua teologia torna-se quase uma erotização da doença e da pobreza, e eles gostam de chafurdar no sofrimento para a glória do homem. Até mesmo o que é chamado de Hedonismo Cristão representa apenas uma adaptação psicológica quando se trata de sofrimento, em vez de fé em Deus para superar e mudar as circunstâncias. Mesmo se houver uma diferença quanto a perspectiva, não existe nenhuma diferença essencial na doutrina e no efeito. Quando se trata de sofrimento, ainda é uma forma religiosa de masoquismo.

Falsos cristãos são religiosamente despertados por um sofrimento desnecessário. Esse não é um sofrimento legítimo, que vem ao se crer e pregar o evangelho; na verdade, muitas vezes não está em jogo o sofrer por Cristo. Ao contrário, eles estão encantados com o sofrimento que vem da vida diária, incluindo as dificuldades que Deus prometeu reduzir ou remover, e que nos instruiu a conquistar pela fé. Para eles, o sofrimento é um fetiche religioso-espiritual. Sua doutrina é um anti-evangelho narcisista e desviante. É uma teologia grotesca e pornográfica. É uma heresia egocêntrica e auto-abusiva. Sua maneira de experimentar uma euforia religiosa sem possuir uma fé para superar as circunstâncias ou para receber as bênçãos e milagres de Deus, e sem ter que fazer qualquer coisa que possa incorrer no tipo de sofrimento que o Evangelho realmente honra. Tudo o que eles precisam é ser perdedores na vida, e mais nada, pois sua teologia do sofrimento irá catapulta-los à glória e ao êxtase. Eles são tarados religiosos.

Os pervertidos do cessacionismo são louvados somente se forem vítimas. É a mais fácil e a mais preguiçosa das religiões falsas. Eles são louvados apenas por ficarem doentes. Eles são louvados apenas por serem pobres. E eles ganham pontos extras se atacarem aqueles que têm fé no Deus que pode tornar sua vida melhor. Eles afirmam que suportam isso para a glória de Deus, mas nenhuma glória vai para Deus, porque eles não estão nos mostrando nada sobre Deus, mas apenas como eles estão aguentando ser maltratados por ele. Tudo o que ouvimos deles é como eles foram fiéis a Deus, embora pareça que Deus tenha sido infiel a eles. Este masoquismo religioso é totalmente para o ego, para a glória do homem. Toda a sua vida é uma fraude religiosa para obter a aprovação humana. De fato, eles conseguem isso. As pessoas admiram a sua resistência, a sua falsa piedade. Essa é a sua recompensa, e será toda a recompensa que irão receber.


----------
Extraído de:
http://www.vincentcheung.com/2016/01/05/christian-masochism-for-the-glory-of-man/

Traduzido por: Dione Cândido Jr.

Nº 11



A IGREJA AINDA É A IGREJA 
por A. W. Tozer

Sim, eu afirmo que Deus tem como fazer conosco, hoje, tudo o que ele fez nos dias dos doze apóstolos. Que poder temos, que potencial possuímos, porque ele está aqui! Nossos direitos estão de pé. O nosso legado não foi revogado! E espiritualmente não há benção ou privilégio que já tenha sido dado por Deus que esteja retido de nós hoje, considerando, é claro, que sabemos o que a Bíblia realmente diz. Por exemplo, sabemos que não podemos ter os novos céus e a nova terra agora mesmo — embora possamos ter a essência deles em nosso ser agora. Também sabemos que neste preciso momento não podemos ter o novo corpo que Deus nos vai dar na volta de Cristo. Mas todas as coisas que são para nós no dia de hoje, essas podemos ter, e é fácil descobrir o que são.

Por que, então, os crentes não estão tendo tudo o que Deus deseja que tenham? Por que a frequência às nossas igrejas se tem tornado uma atividade social? Por que a igreja e o cristianismo têm se tornado meramente formais e rituais? É porque não temos sido bem instruídos. Não temos tido ensinamentos corretos. Disseram-nos que somos diferentes agora, e que isso se dá desde que terminou o tempo dos apóstolos. Somos advertidos: “Esta é uma era diferente da igreja. O diabo está ativo e nós não podemos ter e conhecer o que a igreja primitiva tinha e conhecia”.

Reajo com vigor a tal ensino. Quem quer que ouse dizer coisas assim acha-se na mesma posição daquele que diz: “Não deixo que os seus filhos abram a sua dispensa”, ou “me recuso a deixar que os seus filhos se assentem à mesa para comer”. Todo tipo de ensino ou exposição, por assim dizer, que lhe restrinja os privilégios e as promessas do Novo Testamento está errado, e a pessoa que tenta impedir você de usufruir o que é seu é um falso mestre!

Quem foi que deu a quem quer que seja o direito de entrar na sua sala de jantar, ficando junto à mesa na hora de uma refeição, e proibir que os seus filhos (não os dele) comam os alimentos? Quem tem o direito, em nome do mal ensino, de impedir que os filhos de outrem se assentem à mesa? Você é que os tem como filhos, e é você que é responsável por eles. Você tem uma aliança não escrita com eles, e aquela mesa está posta para eles. Você pode reservar o direito de lhes dizer como eles devem se comportar, mas você não tem o direito de lhes pôr para fora.

Pergunto, então, que direito tem alguém de me dizer, em nome do ensino bíblico, que eu pertenço a uma igreja diferente daquela do primeiro século, diferente da igreja do tempo dos apóstolos de Jesus? Quem está autorizado a me dizer que o fogo diminuiu em glória e que a poderosa autoridade do Cristo de Deus agora é um poder diminuto? Quando leio o Novo Testamento, quem recebeu a autoridade para poder dizer: “Mas isto não é para você. Aquilo não lhe diz respeito. Tal promessa não é para você”? A quem foi dada autoridade para assim se postar à porta do reino de Deus? A ninguém!

Qualquer ensino ou exposição bíblica que me retire os privilégios e as promessas do Novo Testamento elabora em erro. A pessoa que tenta me privar dessas coisas é um falso mestre.


----------
Extraído de:
TOZER, A. W. A tragédia da igreja: ausência de dons. Rio de Janeiro: Danprewan, 1999, pp.49-51.